terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Apagão Elétrico: como a Lógica do Dinheiro (Eficiência de Mercado - Modelo Financista) impede a implantação de um Modelo Energético RESILIENTE (auto suficiência local com redundâncias regionais e globais, baseado em fontes renováveis)

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Fonte da imagem:  http://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/167140/Blecaute-vira-apag%C3%A3o-com-torcida-por-racionamento.htm

Apagão de energia atinge dez Estados e o DF

Por iG São Paulo | 19/01/2015 16:33 - Atualizada às 19/01/2015 20:51

Corte na distribuição foi determinado pelo ONS, órgão do governo federal responsável pela coordenação e controle de geração e transmissão de energia elétrica no Brasil

Além da falta de água nas torneiras, a crise hídrica começa agora a afetar também a distribuição de energia elétrica no País. Cidades em ao menos dez Estados brasileiros –nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste – registraram cortes severos que chegaram a duas horas, na tarde desta segunda-feira (19), deixando residências e comércios totalmente no escuro.
O contratempo ocorreu devido a uma determinação do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), órgão federal responsável pela coordenação e controle de geração e transmissão de energia elétrica no País. Em nota divulgada horas após o apagão, o ONS justificou as quedas da seguinte maneira: "Restrições na transferência de energia das regiões norte e nordeste para o sudeste, aliadas à elevação da demanda no horário de pico, provocaram a redução na frequência elétrica."
(...)

Atrasos e superfaturamento de obras - que entregam menos (pelo preço de um Megawatt se disponibilizaria muitos mais Megawatts de energia) e muito mais tarde (aditivos de contratos = +$) - são decorrentes da 'concorrência de mercado' entre as empreiteiras que lucram com as obras do Sistema Interligado e Centralizado em Grandes Hidro e Termoelétricas. Será que estas empreiteiras, patrocinadas pelos políticos que financiam (de todos os partidos) - muitas as mesmas envolvidas nos escândalos de corrupção da Petrobrás - buscam a eficiência técnica em suas obras (otimizar o atendimento das necessidades dos cidadãos) ou a eficiência de mercado (otimizar o lucro)?

A mesma lógica se aplica à disponibilidade de transporte de massas em São Paulo - CPTM / Metro: (atrasos e superfaturamento de obras - que entregam menos (pelo preço de um quilometro de metro ou trem se disponibilizaria muitos mais quilômetros de metro ou trem) e muito mais tarde (aditivos de contratos = +$) - são decorrentes da 'concorrência de mercado' entre as empresas (de 'nível global') que lucram com este jogo combinado)
Um outro exemplo de que a 'mão invisível', da lei da oferta e procura, na verdade é uma 'mão visível' de grupos (cartéis / oligopólios) que manipulam a oferta e a demanda (via publicidade e outros meios):

.... os governos árabes jogaram o preço do petróleo para baixo para inviabilizar a exploração em vários países ( pre sal em águas profundas no Brasil, xisto betuminoso nos EUA, outras alternativas energéticas )?


O que temos que buscar - como cidadãos e consumidores de energia - para não continuarmos os grandes perdedores neste cassino da Economia de Mercado Capitalista:


(14) Fatores Econômicos Reais

O mundo mudou muito mais nos últimos 100 anos do que em qualquer outro 
século na história. A razão não é política ou econômica, mas tecnológica - 
tecnologias que fluíram diretamente de avanços na ciência básica. [751]
Stephen Hawking 

Visão geral

Em grego economia significa a gestão de um grupo familiar. [752] O atributo qualitativo definidor de uma economia é o seu nível de "eficiência". Ao contrário da prática da "eficiência de mercado" comum hoje em dia, esta forma de eficiência refere-se a sistemas físicos - e não às inter-relações do "dinheiro", do "mercado" e de outros artifícios indiscutivelmente culturais.[753] 

Neste processo de avaliação física, nós inevitavelmente chegamos a um conjunto de componentes inter-relacionados apropriadamente denominados fatores econômicos. Mais uma vez, estes componentes, diferentemente das grandes teorias financeiras em jogo no mundo moderno de hoje, não têm nada a ver com o ato de comércio ou similares. Ao contrário, eles influenciam nos processos técnicos reais, portanto, tendências, potencialidades e necessidades de medição necessárias para a organização do sistema otimizado de extração industrial, produção, distribuição, design, protocolos de reciclagem e afins. 

O texto acima foi extraído do seguinte capítulo, em revisão para publicação no site:

Ensaio 14: Fatores Econômicos Reais 

Diagnósticos e soluções propostas no livro:

O MOVIMENTO ZEITGEIST-UMA NOVA FORMA DE PENSAR
A tradução (colaborativa) dos capítulos 1 a 11 está disponível no site (estamos trabalhando nos demais capítulos  - se desejar ajudar na tradução / revisão, veja como no link):



(B) Sistemas em Pequena Escala e de Uso Total Misto 

A seção anterior descreveu o vasto potencial de aproveitamento de energias renováveis em grande escala, com Demanda Minima [N.T.: base-load - Exigência de carga básica (base-load) é o nível mínimo de demanda em um sistema de alimentação elétrica, ao longo de 24 horas. Fontes de energia de Demanda Minima são aquelas plantas que podem gerar energia confiável para atender de forma consistente uma demanda. Elas são a base de um sistema elétrico.]. Eólica, solar, água / hidro e geotérmica têm demonstrado que são capazes, isoladamente, de disponibilizar, ou vastamente exceder, o consumo energético anual global corrente de 0,55 ZJ, deste momento.

A verdadeira questão é saber como esses métodos serão colocados em prática de forma inteligente. Dadas as limitações regionais, associadas com outras questões nativas, tais como intermitência, uma iniciativa de design real necessita criar uma combinação viável de tais fontes. Algo como uma abordagem sistêmica é a solução real, harmonizando uma fração otimizada de cada uma dessas fontes de energia renováveis ​​para atingir a total utilização da abundância global.

Por exemplo, não é inconcebível imaginar uma série de ilhas artificiais, flutuando ao largo de locais selecionados, ao longo dos litorais, que são projetadas para, eventualmente, aproveitar, ao mesmo tempo, o vento, energia solar, diferenças térmicas, ondas, correntes de maré e do oceano - tudo ao mesmo tempo e na mesma área geral. Tais ilhas energéticas poderiam então enviar, via cabo, sua produção de energia de volta à terra, para uso humano. Várias combinações poderiam também ser aplicadas a sistemas baseados em terra, tais como a construção de combinações Eólica / Solar para contemplar o fato de que muitas vezes a energia eólica é mais presente durante a noite, enquanto a solar está disponível durante o dia.

Da mesma forma, a capacidade criativa no que diz respeito à forma como podemos combinar de forma inteligente vários métodos, também se estende ao que poderíamos considerar aproveitamento de energia local. Métodos renováveis, em ​​escala menor, que conduzam a estruturas individuais ou para pequenas áreas, atendem a mesma lógica sistêmica com respeito à combinação de fontes. Esses sistemas locais poderiam também, se fosse necessário, conectar-se aos sistemas maiores, de Demanda Minima [N.T.: base-load - Exigência de carga básica (base-load) é o nível mínimo de demanda em um sistema de alimentação elétrica, ao longo de 24 horas. Fontes de energia de Demanda Minima são aquelas plantas que podem gerar energia confiável para atender de forma consistente uma demanda. Elas são a base de um sistema elétrico.], assim, compondo uma rede total, integrada, de fontes mistas.

Um exemplo comum hoje em dia, é o uso de painéis solares de estrutura simples, tais como os de utilização doméstica. Enquanto a eficiência destes painéis ainda está em desenvolvimento, associado com limitações de custos impostas pelo mecanismo de investimento / lucro do mercado, a maioria das pessoas que utilizam esses sistemas de energia solar só são capazes de atender a parte do uso de eletricidade de sua casa, em vez de obter 100% de provimento. (Por exemplo, a maioria dos sistemas são aplicados para alimentar a casa durante o dia, enquanto obtém energia da rede regional de Demanda Mínima , durante a noite.) Este tipo de abordagem que busca maximizar as possibilidades locais, em primeiro lugar, antes de recorrer ao uso de energia em maior escala, em uma abordagem sistêmica, é a chave para a abundância prática de energia, eficiência e sustentabilidade.

Para entender a importância disto mais a fundo, vamos expandir o exemplo de aplicação doméstica de painéis solares para seu possível potencial teórico. Em 2011, o consumo anual médio de eletricidade de um cliente tipo unidade residencial (casa), nos EUA foi de 11.280 kWh. [681] Dados 114.800.000 domicílios, em 2010, [682] isto significa que 1.295 TWh / ano foram utilizados. O consumo total de energia elétrica, em 2012, para os EUA, foi de 3.886.400.000 MWh / ano. [683] Isso equivale a 3.886 TWh / ano. Isso significa que 33% de todo o consumo de energia elétrica ocorreu nas casas das pessoas, com a grande maioria desta energia proveniente de usinas de energia de combustível fóssil.

Se todos os lares nos Estados Unidos fossem capazes de alimentar-se de eletricidade usando painéis solares apenas, a utilização desta energia local, que é simplesmente desperdiçada, neste momento, a redução do estresse para o sistema de Demanda Mínima seria dramática. Ao contrário da crença popular, a partir de 2013 esta é uma possibilidade real, dado o estado de eficiência das células solares e tecnologias de armazenamento. [684] O problema é que a indústria de energia atual não está preparada para tal eficiência e os sistemas solares de consumo disponíveis sofrem de alta despesa financeira, como resultado de limitadas produção em massa e concorrência. E uma falta de iniciativa social para promover este avanço.

Vale a pena afirmar aqui que o sistema financeiro e os seus mecanismos orientados a preços existem como barreiras para o desenvolvimento de onipresentes e otimizadas residências solares, de modo amplo (bem como para todas as outras tecnologias em desenvolvimento, depois de um certo ponto de eficácia comprovada). Enquanto os defensores do capitalismo argumentam que o processo de investimento para o mercado, na disponibilização de um bem, com base na demanda, geralmente reduz o custo desse bem ao longo do tempo, tornando-o mais disponível para aqueles que não podiam pagar antes, esquecem-se que o processo inteiro é um artifício.

Se o preço e o lucro fossem removidos do sistema, focando-se apenas na tecnologia e seu mérito estatístico, tanto no momento atual como em suas tendências de eficiência (melhorias futuras), de longo prazo, estratégias apropriadas de alocação de recursos e pesquisas poderiam ser empregadas para prover tecnologias promissoras para a população muito mais rapidamente. No caso de painéis solares para geração de energia em casa, dada a incrível capacidade que tem para aliviar o stress de energia no sistema de Demanda Mínima e que, hoje, poderiam reduzir ainda mais as emissões e poluição de combustíveis fósseis, é uma circunstância muito infeliz que essa tecnologia e sua aplicação esteja sujeita aos caprichos do mercado. [685]

Se examinarmos a despesa comercial de um painel solar médio, em 2013, uma casa média, com 11.280 kWh por mês, exigiria cerca de 30 painéis, com uma eficiência de célula solar de cerca de 9-15% e um sistema de bateria para a noite. Isso custaria mais de US $ 20.000. [686] Tal despesa é inacessível para a grande maioria, mesmo com os materiais básicos utilizados em sistemas fotovoltaicos tradicionais sendo simples e abundantes, junto com a cada vez maior facilidade de fabricação.

Da mesma forma, é igualmente decepcionante perceber como a construção moderna de casas tem feito pouco ou nenhum uso de outros métodos renováveis ​​locais básicos, que poderiam facilitar ainda mais a capacidade do mundo real para colocar todas as famílias (não só nos EUA, mas em todo mundo) em uma situação de independência energética.

Observado o poder da energia solar, outras aplicações quase universais também se aplicam. De pequenos sistemas de captação de vento [687], aquecimento geotérmico e tecnologia de resfriamento [688], combinados com projetos arquitetônicos para uma melhor utilização da luz natural e eficiência de preservação de calor / frio [689], há um espectro de ajustes de design que poderiam tornar apartamentos e casas não só auto-suficientes, mas também mais ecologicamente sustentáveis. Associando isto com projetos de uso e reuso para a preservação da água, juntamente com outras abordagens para otimizar a eficiência de energia / recursos, fica claro que nossos métodos atuais são extremamente dispendiosos quando comparados com as possibilidades.

Estendendo para o exterior, para a infra-estrutura da cidade, vemos as mesmas falhas em quase toda parte no que diz respeito a aplicação de tais sistemas. Por exemplo, uma quantidade enorme de energia é usada no processo de transporte. Enquanto o veículo elétrico tem se mostrado viável para uso global pleno, os esforços de lobistas e outras limitações de mercado continuam a manter a sua aplicação bem atrás dos normais, alimentados a gasolina. Muitos métodos baseados em sistemas também continuam não explorados.

Além de uma necessidade geral de reorganizar ambientes urbanos para tornarem-se mais propícios para o uso de redes de transporte de massa, eliminando a necessidade de vários veículos autônomos, simplesmente reaproveitar os movimentos motorizados de todos os meios de transporte poderia aliviar significativamente as pressões de energia.

A tecnologia chamada de piezoelétrica, [690] que é capaz de converter a pressão e energia mecânica em energia elétrica, é um excelente exemplo de um método de reaproveitamento de energia com grande potencial. As aplicações existentes incluem a geração de energia por pessoas caminhando sobre pisos [691] e calçadas [692] piezo elétricos. Ruas que podem gerar energia quando automóveis trafegam [693] e os sistemas ferroviários que também podem capturar energia da passagem de trens, através da pressão . [694] O engenheiro aeroespacial Haim Abramovich afirmou que um trecho de estrada com menos de um quilômetro de comprimento, quatro pistas largas e trafegado por cerca de 1.000 veículos, por hora, pode criar aproximadamente 0.4 megawatts de potência, o suficiente para abastecer 600 casas. [695] 

Outras aplicações teóricas estendem-se a praticamente qualquer coisa que envolva pressão ou movimento, incluindo pequenas vibrações. Por exemplo, há projetos trabalhando para aproveitar produções de energia aparentemente de pequena escala, tais como: digitar mensagens de texto em um telefone celular em uma fonte para carregar o telefone, enquanto o telefone está simplesmente sendo tocado ou movido; [696] [697] aplicações para energia colhida de fluxo de ar a partir de aviões; [698] e até mesmo um carro elétrico que usa tecnologia piezo, em parte, para carregar-se à medida que viaja. [699]

Se pensarmos sobre a enorme energia mecânica desperdiçada por modos de transporte de veículos e centros de alto tráfego a pé, como as ruas do centro, o potencial dessa possível energia regenerada é bastante substancial. É esse o tipo de pensamento sistêmico que é necessário, a fim manter a sustentabilidade, enquanto perseguimos ativamente uma abundância global de energia.

O texto acima foi extraído do seguinte capítulo, em revisão para publicação no site:

Ensaio 13: Tendências Pós-Escassez , Capacidades e Eficiências 

Diagnósticos e soluções propostas no livro:

O MOVIMENTO ZEITGEIST-UMA NOVA FORMA DE PENSAR
A tradução (colaborativa) dos capítulos 1 a 11 está disponível no site (estamos trabalhando nos demais capítulos  - se desejar ajudar na tradução / revisão, veja como no link):


Ver também:

 Evidências de que a 'Escassez' de Água deve-se à Restrições Monetárias (Eficiência de Mercado - Modelo Financista) e não à Falta de Soluções de Engenharia (Eficiência Técnica). Local ou Globalmente.
#Capacidades, #Eficiência_Mercado, #Eficiência_Técnica, #Eficiências, #Movimento_Zeitgeist, #Pós-Escassez

Demonstração de como a EFICIÊNCIA DE MERCADO inibe e, muitas vezes, impede a EFICIÊNCIA TÉCNICA (respeito às Leis Naturais para atender as Necessidades Humanas)



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