segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Evidências de que a 'Escassez' de Água deve-se à Restrições Monetárias (Eficiência de Mercado - Modelo Financista) e não à Falta de Soluções de Engenharia (Eficiência Técnica). Local ou Globalmente.



Antes de considerarmos o caso específico da 'escassez' de água uma pequena introdução à título de esclarecimento de mecanismos.

Reflexão provocada por:

Diante da crise da água em São Paulo, o coordenador geral da Rede Nossa São Paulo e do Programa Cidades Sustentáveis faz um apelo às autoridades e aos cidadãos para que assumam as devidas responsabilidades.
ALARME

(13) Tendências Pós-Escassez, Capacidades e Eficiências


A atual civilização industrial mundial é prejudicada pela coexistência de dois sistemas intelectuais universais, que se sobrepõem e são incompatíveis entre si: o conhecimento acumulado dos últimos quatro séculos sobre as propriedades e inter-relações da matéria e da energia; e a cultura monetária associada que evoluiu a partir de costumes de origem pré-histórica. [504]
M. King Hubbert


Avaliando o Projeto

Examinando a superfície da Terra, hoje, percebe-se que uma camada de rede de comunidades, centros industriais, vias de transporte, áreas de recreação, sistemas agrícolas e afins dominam grande parte da paisagem. Independente de pretender ser, ou não, uma construção completa de um sistema, este resultado, em um determinado ponto no tempo, constitui a aparência de um projeto topográfico. 

No entanto, por outro lado, uma vez que o resultado deste "projeto" hoje é, na verdade, uma junção consequente, principalmente, das dinâmicas empresariais - movimentação do dinheiro em função de auto-interesse pessoal ou de grupo, baseada em mecanismos de tomada de decisão tais como lucro, custo-benefício e a lógica prevalecente das relações de propriedade - também se poderia argumentar que o que se manifestou não é na verdade um "projeto". Pelo contrário, se baseia em um mecanismo que criou a aparência de projeto ex post facto [505], uma vez que o reconhecido resultado estrutural não foi totalmente antecipado antes de sua construção, como um todo. 

Em outras palavras, a ordem técnica que vemos no mundo de hoje é principalmente o resultado de processos financeiros que têm pouca ou nenhuma percepção de resultados estruturais em maior escala. É mais um sistema de representação [N.T.: "sob mandato do mercado"] [506] e, embora existam algumas exceções relativas, como a colocação de estradas, oleodutos e similares por urbanistas financiados que simplesmente precisam ter uma visão física ampla para serem funcionais, e mesmo estas circunstâncias estão muitas vezes se desenvolvendo em torno de reivindicações de propriedade pré-existentes e outras formas de interferência que tendem a reduzir a eficiência do projeto como um todo. 

Esta é uma observação interessante, pois uma vez reconhecido que a nossa sociedade funciona sem uma preconcepção com seu próprio desenho físico, em larga escala, começa-se a perceber o nível enorme de desperdício e ineficiência técnica inerentes a um processo tão míope. 

Para compreender isso melhor, dois pontos merecem consideração:

a) Existência de Soluções Ainda Não Aplicadas

b) Concepção Ampla vs. Concepção Espontânea


a) Existência de Soluções Ainda Não Aplicadas: 

Este primeiro ponto diz respeito à tendência de que muitas inovações na resolução de problemas não são aplicadas dentro da tradição econômica atual. [507] Se métodos ou tecnologias adicionais de melhoria de vida não se incorporaram a um sistema, após uma quantidade de tempo considerável (caso aconteça), depois de uma validação geral, podemos assumir com razão que há ineficiências, senão deficiências, no próprio processo de incorporação e desenvolvimento econômicos. 

Em outras palavras, esse atraso na aplicação, no mundo real, de soluções comprovadas mede a capacidade do sistema socioeconômico de se adaptar adequadamente aos métodos e aplicações melhorados. Se, por algum motivo, a ordem social em questão não é capaz de incorporar esses novos meios que promovem o equilíbrio ecológico, melhoram a saúde pública, resolvem problemas e aumentam a prosperidade, então provavelmente há um problema estrutural inerente. [508] 

b) Concepção Ampla vs. Concepção Espontânea: 

Em segundo lugar, de um ponto de vista estritamente convencional, considerações diretas e totais acerca do sistema serão sempre mais eficientes e eficazes do que a geração "espontânea" através de processos cegos ao resultado final ou seu propósito. [509]

Em outras palavras, como indicado antes, um bem básico, como um carro, tem um projeto que é concebido com antecedência, antes da produção física. Assim que o desenho é concluído, em seguida, há a aplicação de materiais e processos reais para a criação do produto físico real. Isso pode parecer óbvio, para a maioria, como um processo lógico, mas a relevância de tal pré-concepção muitas vezes se perde quando se trata de contextos de ordem maior. 

Temos que nos perguntar qual seria o resultado se aplicássemos o processo pseudo-democrático de mercado, baseado em lucro a curto prazo, através de ofertas, compra e venda, caso possível em tal escala, na criação de sistemas de bens de alta integridade, como um avião, computador, carro, casa ou similares. Enquanto hoje os recursos, trabalho e sistemas sub-componentes desses itens estão certamente em jogo no livre mercado, o projeto em si não está.

O projeto é relegado, necessariamente, à disciplina de ciências em geral. Pode-se dizer que uma linha é intuitivamente delineada entre o que é suscetível à opinião monetária e o que é tangivelmente necessário para manter um nível básico de integridade técnica do sistema. (Por favor, note que esta noção de projeto não deve ser confundida com interesses "estilísticos" subjetivos. Projeto, como usado aqui, não é uma consideração estética, mas uma questão técnica.)

Imagine, hipoteticamente, se as pessoas fizessem suas "ofertas e sugestões" para o projeto físico de construção de uma casa nos seus pequenos detalhes físicos, ignorando princípios científicos. Em outras palavras, ao invés de referenciar as leis básicas da física e da ciência natural que definem a integridade estrutural nuclear de qualquer edifício, nós deixássemos o mercado decidir, com todos "comprando" e "vendendo" essas premissas em benefício pessoal, independente de conhecimento técnico. É claro que essa ideia é um verdadeiro absurdo em tal abstração e a maior parte dos leitores provavelmente não pode sequer imaginar uma dinâmica tão irracional.

No entanto, é exatamente isso que está ocorrendo, como resultado de nosso sistema econômico, em muitas outras formas menos óbvias . Por exemplo, em uma escala "macroeconômica", a rede comercial mundial criada pela globalização [510] - baseada no custo-benefício, que muitas vezes, dentre outras coisas, utiliza trabalho mais barato em regiões distantes [511], desperdiçando grandes quantidades de energia no deslocamento, de ida e volta, de recursos ao redor do mundo - revela bem esta perda de eficiência. [512]

(...)
Visão de Mundo Pós-Escassez 

Nesta seção, estatísticas básicas e tendências serão apresentadas para mostrar como podemos, como uma sociedade global, alcançar um sistema social "pós-escassez". [538] 

Enquanto a escassez em termos absolutos estará sempre com a humanidade, de uma forma ou de outra, neste sistema fechado de recursos terrestres, a escassez no nível das necessidades humanas e de sucesso material básico não é mais uma defesa viável dos métodos de alocação do sistema de mercado. [539] 

Como um breve aparte, uma defesa comum do sistema de preços e do mercado é que se existir alguma escassez, ela torna sem efeito qualquer outra abordagem. O argumento é que, uma vez que nem todos podem ter xyz, xyz é escasso e, portanto, as pessoas precisam de dinheiro (ou da falta dele) para filtrar quem ganha xyz e quem não ganha. 

O problema com essa hipótese é que ela ignora como certos recursos e, portanto, as mercadorias, têm mais relevância do que outros quando se trata de saúde pública. 

Comparar a escassez de um carro de luxo muito caro que satisfaz a necessidade de status de seu proprietário mais do que sua finalidade básica de ser um modo de transporte - com a escassez de alimentos, que é uma exigência central da vida para a saúde, não é legítimo em termos reais. O primeiro interesse, embora talvez importante para a satisfação do ego do proprietário, que provavelmente já tem suas necessidades básicas atendidas para poder pagar um produto desse tipo, não é equivalente ao segundo interesse, que corresponde àqueles que pouco ou nada têm para comer e, portanto, não podem sobreviver. Não se pode arbitrariamente confundir essas "necessidades" e "desejos", como se eles fossem simplesmente a mesma coisa, na teoria. Infelizmente, esta é a forma como o sistema de mercado se comporta. 

Da mesma forma, junto com uma grande desigualdade material e financeira [540] vem uma inevitável desestabilização social. Praticamente todas as dissidências populares e revoluções de grande escala dos últimos duzentos anos tiveram alguma base econômica, geralmente relacionada ao desequilíbrio e exploração sociais e à separação de classes.[541] E o mesmo é válido para as causas de crimes, terrorismo, vícios e outros problemas sociais. Praticamente todas estas tendências nascem da privação, seja absoluta ou relativa, e essa privação é inerente à natureza de uma sociedade baseada em competição e escassez. 

Assim, simplesmente reduzir a nossa realidade econômica ao mero comércio, alegando que algum grau de escassez justifica a utilização do mercado, dos preços e do dinheiro para realizar alocações, é ignorar a verdadeira natureza do que garante a harmonia social, a estabilidade e a saúde pública. Será que pareceria razoável ​​renunciar à capacidade técnica de, por exemplo, elevar 80% da humanidade a uma qualidade de vida, em termos materiais, atualmente mantida por apenas 10%, simplesmente porque "nem todos podem possuir uma mansão de 500 quartos"? Mais uma vez, torna-se bem claro o absurdo dessa objeção quando uma perspectiva sistêmica é adotada em relação ao que serve de base verdadeira à saúde pública e estabilidade social. 

Isto colocado, abaixo há uma lista das atuais realidades de suporte à vida disponíveis para a população mundial que não tem sido aproveitadas devido a fatores inibidores inerentes à economia de mercado. Cada ponto será tratado em uma subseção própria. 

1) Produção de alimentos: métodos atuais de produção já produzem mais comida do que o suficiente para alimentar todos os seres humanos na terra. Além disso, as tendências atuais de tecnologias e métodos agrícolas mais otimizados também mostram uma capacidade de aumentar ainda mais a eficiência da produção e a qualidade da nutrição para um estado ativo de abundância, com mínimo trabalho humano e cada vez menos necessidades de energia, água e terra. 

2) Água Limpa: atualmente existem processos de dessalinização e de descontaminação em um grau de aplicação tão vasto que nenhum ser humano, mesmo no estado atual dos níveis de poluição, precisaria estar sem água potável, independente de onde ele esteja na terra. 

3) Energia: Dentre as energias geotérmica, eólica, solar e hídrica, associadas a processos baseados em sistemas que podem recapturar a energia expelida e reutilizá-la diretamente, há uma abundância absoluta de energia, que pode prover muitas vezes as atuais necessidades da população mundial. 

4) Acesso/Produção Material: Desde edifícios e transporte até os bens comuns, o espectro de produção material tem experimentado um fusão poderosa de bens de capital, bens de consumo e trabalho humano. Com a apropriada incorporação sistêmica de cada gênero de produção, associada a processos otimizados de regeneração e com uma transformação total de um sistema de direito de propriedade para um de direito de acesso, torna-se claro que todas as funcionalidades conhecidas dos bens (na forma de produtos) podem ser utilizadas por 100% da humanidade, tendo por base as necessidades individuais e permitindo uma abundância de acesso.

Capacidade de Suporte

No entanto, antes que esses quatro temas sejam abordados em detalhe, faz-se necessária uma análise da "capacidade de suporte" da Terra. A capacidade de suporte é definida como "o número equilibrado e máximo de organismos de uma determinada espécie que podem ser sustentados indefinidamente por um determinado ambiente." [542] 

A especulação sobre a capacidade de suporte da Terra em relação aos seres humanos, ou seja, quantas pessoas a Terra e sua biosfera podem suportar, tem sido um assunto controverso por muitos séculos. Por exemplo, um relatório de 2001 das Nações Unidas disse que dois terços das estimativas que eles avaliaram naquele momento indicaram uma faixa de 4 a 16 bilhões, com uma mediana no valor de cerca de 10 bilhões de pessoas. [543] 

No entanto, a mudança tecnológica e sua capacidade de aumentar a eficiência na forma como os recursos são utilizados, [544] apresenta uma crescente interferência nessas tentativas de se obter um valor empírico tangível. A realidade é que o número de pessoas que a Terra pode suportar é altamente variável e baseado, em parte, no estado pontual da tecnologia em um determinado momento, e quanto mais a nossa compreensão científica e técnica progredir, maior a tendência do nosso planeta sustentar mais pessoas com menos energia e recursos. 

Evidentemente, isso não quer dizer que dentro de um sistema fechado como a Terra nós temos uma capacidade infinita de reprodução. Na verdade, destaca a relevância do que significa ser estratégico, inteligente e eficiente em nosso uso de recursos e, por extensão, no próprio processo industrial/econômico. 

Hoje, não há nenhuma evidência de que atingimos ou estamos perto de atingir a capacidade de suporte da Terra se levarmos em conta as tendências que revelam o nosso vasto potencial de "fazer mais com menos", aliado a um sistema de valores que reconhece claramente que nós, como espécie, ocupamos um sistema fechado da Terra, com limitações naturais totais, e que é nossa responsabilidade em relação a nós mesmos, aos outros e às futuras gerações manter um interesse em equilíbrio, eficiência e sustentabilidade. 

Este imperativo educacional sugere que uma cultura global consciente, informada, pode estabilizar sua taxa de reprodução, se necessário, sem forças externas, caso esta relação básica for bem compreendida. É claro que muito poderia ser dito sobre a influência de crenças tradicionais antigas, como as doutrinas religiosas que parecem sugerir que a procriação permanente e constante é uma virtude. Estes pontos de vista, que se originaram na ausência do conhecimento que temos hoje sobre a nossa existência compartilhada em um planeta finito, provavelmente serão superados naturalmente através da educação. [545] 

Da mesma forma, se as atuais regiões de crescimento populacional acelerado são analisadas, verifica-se que aqueles vivendo na privação e pobreza se reproduzem mais rapidamente do que aqueles fora dessas condições. Embora haja controvérsias a respeito do porquê da prevalência desses padrões, a correlação parece ser precisa. Esta evidência sugere que a elevação do nível de vida das pessoas pode reduzir suas taxas reprodutivas, o que estimula o imperativo social de criar um sistema de alocação de recursos mais justo.


No caso da água: 

(2) Água Limpa

Dado que o corpo humano só pode sobreviver alguns dias sem água potável, [583], tornar este recurso essencial disponível, em abundância, para todos, é fundamental. Da mesma forma, ele é a espinha dorsal de muitos métodos de produção industrial, incluindo a própria agricultura. A água doce é, naturalmente, a água que existe na superfície da Terra, em camadas de gelo, calotas polares, geleiras, icebergs, pântanos, lagoas, lagos, rios e riachos, e no subsolo como água subterrânea em aquíferos e rios subterrâneos. De toda a água na Terra, 97% é salgada e não diretamente consumível.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde: "Cerca de 2,6 bilhões de pessoas - metade do mundo em desenvolvimento - não têm nem mesmo uma "aperfeiçoada" latrina simples e 1,1 bilhão de pessoas não têm acesso a qualquer tipo de fonte aperfeiçoada para beber água. Como conseqüência direta: 

- 1,6 milhões de pessoas morrem todos os anos devido a doenças diarreicas (incluindo a cólera) atribuíveis à falta de acesso à água potável e ao saneamento básico. E 90% delas são crianças com menos de cinco anos, a maioria em países em desenvolvimento;

- 160 milhões de pessoas estão infectadas com esquistossomose causando dezenas de milhares de mortes por ano. 500 milhões de pessoas estão com risco de ter tracoma, das quais 146 milhões estão ameaçadas pela cegueira e 6.000.000 são deficientes visuais;

- Helmintos intestinais (ascaridíase, tricuríase e ancilostomíase) estão assolando o mundo em desenvolvimento, devido à insuficiente de água potável, saneamento e higiene, com 133 milhões sofrendo de infecções intestinais de alta intensidade por helmintos; existem cerca de 1,5 milhões de casos de hepatite A clínica, a cada ano ". [584]

De acordo com as Nações Unidas, em 2025, cerca de 1,8 bilhões de pessoas viverão em áreas assoladas pela escassez de água, com dois terços da população mundial vivendo em regiões com problemas de água. [585] Tal como acontece com a maioria de todos os problemas dos recursos atuais do mundo, é uma questão de ambas: pobre gestão e falta de aplicação industrial. Do ponto de vista da gestão, a quantidade de água desperdiçada no mundo, devido à poluição, uso excessivo e infra-estrutura ineficiente, é enorme. Cerca de 95% de toda a água que entra na maioria das casas das pessoas vai embora, pelo ralo, em um instante. [586] 

Uma solução sistêmica para otimizar este uso é projetar cozinhas e banheiros para que eles recapturem água para diferentes fins. Por exemplo, a água que atravessa uma pia ou chuveiro pode ser disponibilizada para um banheiro. Várias empresas têm, lentamente, colocado essas idéias em prática recentemente, mas, em geral, a maioria das infra-estruturas não fazem nada do tipo, tanto quanto não usam sistemas de reutilização. O mesmo é verdadeiro para grandes edifícios comerciais, que podem criar redes de reutilização em toda a estrutura, juntamente com a captura de água da chuva para outros fins, etc 

A poluição da água é outro problema, o qual afeta tanto os países desenvolvidos quanto em desenvolvimento, em vários níveis. A Agência de Proteção Ambiental Americana (EPA) estima que 850 bilhões de litros de esgotos não tratados (resíduos) fluem para corpos de água, por ano, contribuindo para mais de 7 milhões de doenças a cada ano. [587] O Centro do Terceiro Mundo para Gestão da Água estima que apenas cerca de 10 a 12 por cento das águas residuais, na América Latina, são tratados adequadamente. A Cidade do México, por exemplo, "exporta" suas águas residuais não tratadas para os agricultores locais. 

Enquanto os agricultores valorizam isso porque a água aumenta a produtividade das culturas, as águas residuais são altamente contaminadas com patógenos e produtos químicos tóxicos, o que representa um sério risco à saúde, tanto para os agricultores quanto para os consumidores dos produtos agrícolas cultivados nessa área. Na Índia, as principais cidades descarregam as águas residuais, sem tratamento, nos corpos de água que servem como fonte de sua água potável. Delhi, por exemplo, descarrega suas águas residuais diretamente no Rio Yamuna - a fonte de água potável para cerca de 57 milhões de pessoas. [588] 

As soluções para este problema, em parte, devem abordar a questão da grande ineficiência, provavelmente impulsionada pelas limitações monetárias da maior parte dos governos, para instituir sistemas de esgotos adequados, juntamente com um design industrial imperativo para incluir técnicas de sistema de reuso, para melhor preservar e utilizar nossos recursos existentes. 

Isso ao lado, da mais notável e ampla solução, para compensar esses problemas emergentes, a fim de facilitar não só um alívio dos problemas de água atuais, que afetam mais de 2 bilhões de pessoas, mas também para transcender para uma condição de relativa abundância de água fresca, para todos os seres humanos, que é utilizar modernos sistemas para (a) purificação e (b) dessalinização, em ambas as escalas, macro e micro-industriais. 

(A) Purificação: 

Avanços na purificação de água vem se acelerando, rapidamente, com muitas variações tecnológicas da abordagem. Talvez um dos mais eficientes hoje seja o que é chamado de "desinfecção ultravioleta (UV)". Este processo é altamente escalável, tem baixo consumo de energia e funciona rapidamente. 

Segundo o engenheiro Ashok Gadgil, inventor de sistemas UV portáteis, "Em termos de uso de energia, 60 watts de energia elétrica - o que é comparável à energia utilizada em uma lâmpada de mesa comum - é suficiente para desinfetar a água, a uma taxa de uma tonelada por hora, ou quinze litros por minuto ...Esta quantidade de água é suficiente para satisfazer as necessidades de água potável de uma comunidade de 2.000 pessoas". [589] Este dispositivo Gadgil desenvolvido para áreas pobres rurais, pode ser operado através de painéis solares, pesa apenas 15 quilos e não tem descarga tóxica. 

Claro, não há bala de prata. Enquanto a desinfecção UV funciona muito bem para bactérias e vírus, é menos eficaz para outros tipos de poluição, tais como sólidos suspensos, turbidez, cor ou matéria orgânica solúvel. [590] Em aplicações em larga escala, UV é muitas vezes combinado com tratamentos mais convencionais, como o cloro, como é o caso com a maior fábrica de desinfecção UV de água potável do mundo, em Nova York, que pode tratar 2,2 bilhões de galões americanos (8,3 milhões de metros cúbicos), por dia . [591] Isto é 3.029.500.000 [mais de 3 bilhões] de metros cúbicos, por ano. 

A pessoa média, nos Estados Unidos, usa 2.842 metros cúbicos, por ano. [592] Isso inclui a água doce utilizada para fins industriais, não apenas para o consumo direto (beber) . A média mundial é de 1.385 metros cúbicos, por ano. [593] China, Índia e Estados Unidos são atualmente os maiores usuários de água doce do mundo e a maioria desta água é utilizada na produção, principalmente na agricultura. [594] Na verdade, cerca de 70% de toda a água doce é utilizada na agricultura, globalmente. [595] 

Por uma questão de argumento de estatística pura, ignorando as revisões altamente necessários em relação ao uso estratégico da água, sistemas de reutilização e possibilidades de conservação através de aplicações industriais mais avançadas e eficientes, vamos avaliar a simples questão do que seria necessário para desinfetar (assumindo que fosse necessário) toda a água doce sendo usada atualmente no mundo, em média, por toda a população, em todos os contextos. Dada a média mundial de 1.385 metros cúbicos e uma população de 7,2 bilhões, chegamos a um consumo anual total de 9.972.000 milhões de metros cúbicos. 

Usando a capacidade de produção da planta UV de Nova York, de cerca de 3 bilhões de metros cúbicos, por ano, como uma base, por instalação, de uma usina desse tipo, descobrimos que 3.327 plantas seriam necessárias globalmente. [596] A planta de Nova York é de cerca de 3,7 hectares (160k de pés quadrados). [597] Isso significa que cerca de 12.309 hectares de terra são necessários, em teoria, a fim de instalar um processo de purificação de toda a água doce atualmente utilizada, globalmente, pela população. 

Claro, escusado será dizer, há muitos outros fatores "pegada" que entram em jogo, tais como as necessidades de energia, juntamente com a importância crítica de localização. 
No entanto, vamos colocar isso em uma comparação maior, mais reflexiva. O exército dos Estados Unidos, sozinho, com seus cerca de 845.441 edifícios e bases militares, ocupa cerca de 30 milhões de hectares de terra em todo o mundo. [598] Apenas 0,04% desta terra seria necessária para desinfetar o total de água fresca em uso, de todo o mundo, se fosse mesmo necessária esta escala, o que não é. 

(B) Dessalinização 

A possibilidade realista, de massiva purificação global de água doce poluída, colocada de lado, provavelmente o meio mais poderoso para assegurar água potável utilizável, é converter diretamente de uma fonte salina, ou seja, do oceano. Com um planeta composto principalmente de água salgada, esta técnica, se feita corretamente, garante, sozinha, abundância global. 

O método mais comum de dessalinização utilizado hoje em dia é o de osmose reversa, um processo que remove as moléculas de água a partir da água salgada, deixando íons de sal, em um subproduto de salmoura residual . De acordo com a Associação Internacional de Dessalinização: "Atualmente, a osmose reversa (RO) ... responde por cerca de 60 por cento da capacidade instalada, seguido pelos processos térmicos de flash em vários estágios (MSF), com 26 por cento e de multi-efeito de destilação (MED), com 8,2 por cento. " [599] Em 2011, havia cerca de 16.000 estações de dessalinização, em todo o mundo, e a capacidade mundial total de todas as plantas on-line (ou seja, em operação) era de 66,5 milhões de metros cúbicos por dia, ou cerca de 17,6 bilhões de galões americanos por dia. [600] 

Como em tudo que é tecnológico, muitos métodos em desenvolvimento, atualmente considerados "experimentais", sugerem um aumento poderoso em termos de eficiência conforme as tendências se desenvolvam. Um dos métodos chamado dessalinização capacitiva (CD), também conhecido como desionização capacitiva (CDI), tem mostrado uma operação com maior eficiência de energia, pressões mais baixas, não há componentes de membrana e não produz uma descarga de resíduos, como as práticas convencionais. Ele também pode ser facilmente escalado simplesmente aumentando o número de eléctrodos de fluxo no sistema. [601] 

No geral, se examinarmos os métodos existentes, juntamente com métodos emergentes, vemos uma tendência geral de aumento da eficiência na conservação e desempenho de energia. [602] Isto brevemente mencionado, o foco desta extrapolação para uma utilização "pós-escassez" de dessalinização irá considerar somente métodos atuais, comprovados, em uso, nomeadamente o sistema de osmose reversa.

A Usina Wonthaggi de Dessalinização é uma planta avançada de dessalinização, por osmose reversa, de água do mar, na Costa Baixa, perto de Wonthaggi, ao sul de Victoria, na Austrália. Foi concluída em Dezembro de 2012. Ela pode produzir, de forma conservadora, cerca de 410 mil metros cúbicos de água dessalinizada, por dia (150 milhões de metros cúbicos, por ano), [603] ocupando cerca de 20 hectares (cerca de 50 acres de terra). [604] Dado que, como observado anteriormente, o uso total de água, anual do mundo de hoje é de cerca de 9 trilhões, 972,000 milhões de metros cúbicos, isto significa que seriam necessárias 60.000 plantas [605] para processar todo o uso de água potável. Mais uma vez, esta extrapolação extrema é para construir um argumento relativo, uma vez que não precisamos dessalinizar tanta água na realidade. 

No entanto, supondo que necessitássemos dessalinizar a água do mar constantemente para corresponder ao uso global atual, 3 milhões de hectares de terras seriam necessários, no total. A Terra tem cerca de 217.490 [606] quilômetros de litoral, o que significa, utilizando livremente o modelo Wonthaggi, de cerca de 20 hectares (cerca de 50 acres) com 100 metros por hectare (ou 328 pés), assumindo a construção sendo de quatro hectares de profundidade e cinco hectares de comprimento, paralelo à costa, a planta iria ocupar 1.640 pés ao longo da costa. Isso significa que, assumindo 60.000 plantas da mesma dimensão, seriam necessários 98.400 mil pés ou 18.636 milhas de costa (8,5% do litoral do mundo). 

Claro, isso é uma grande quantidade de litoral e naturalmente muitos outros fatores entram em jogo quando se escolhe um local apropriado para tal planta. Mais uma vez, não é propósito deste extrapolação sugerir que estas estatísticas tenham qualquer outro uso além de medir, em um amplo senso, o que tais capacidades significam, tendo em conta as questões de escassez / estresse de água, que ocorrem hoje. No entanto, o fato é que ele está, claramente, dentro do alcance de aplicação para atender as necessidades das pessoas que sofrem de escassez de água, através da dessalinização, sozinha, juntamente com um sistema de infra-estrutura e distribuição para mover águas para o interior. 

Como exemplo final, vamos reduzir essa extrapolação abstrata mais ainda e aplicá-la a uma circunstância da vida real. No continente da África, por exemplo, que tem cerca de 1 bilhão de pessoas, a partir de 2013, [607] cerca de 345 milhões de pessoas não têm acesso suficiente à água potável. [608] Se aplicarmos a taxa média global observada de consumo, de 1.385 metros cúbicos, por ano, visando proporcionar a cada um dos 345 milhões de pessoas esta quantidade, precisaríamos de 477.825 milhões de metros cúbicos produzidos anualmente.

Usando a capacidade anual de Wonthaggi, de 150 milhões de metros cúbicos produzidos, como base, a África precisaria de 3185 plantas de 50 hectares, ao longo da sua linha de costa, para atender tal demanda, tendo cerca de 25.158 milhas (de costa na África) 5.223.400 pés ou 989 milhas. O que ocuparia apenas 3,9% da costa da África. [609]

No entanto, se dividirmos esse número pela metade, e usando sistemas de purificação de UV para uma parte e dessalinização para a outra, o processo de dessalinização necessitaria cerca de 1,9%, ou 494 milhas de costa para as instalações de dessalinização e apenas cerca de 296 hectares de terra para as instalações de purificação, o que é uma fração minúscula do total de massa de terra, da África (de cerca de 7 bilhões de acres). Isto é altamente factível e, obviamente, neste caso e em todos os casos, nós maximizaríamos, estrategicamente, processos de purificação, uma vez que é mais eficiente, enquanto usaríamos a dessalinização para a demanda restante. 



Tais estatísticas brutas revelam que entre UV e descontaminação tradicional, juntamente com os processos de dessalinização tradicional, tal como existem atualmente, mesmo ignorando os avanços rápidos que ocorrem em ambos os campos [610], que provavelmente vão ter um nível de avanço de eficiência, exponencialmente, nas próximas décadas, a ideia de permanente escassez de água no planeta Terra é um absurdo. Ambas estas extrapolações isoladas assumiram que apenas uma ou a outra foi aplicada, apenas na forma de grande escala, assumindo que não há outras fontes existentes de água potável. 

Na realidade, tendo em conta o atual nível de água doce ainda disponível, juntamente com uma simples e inteligente re-ordenação, de esquemas de rede de água para uso e reutilização, para preservar ainda mais a capacidade existente, associados com os processos tanto de dessalinização em pequena e larga escala, quanto descontaminação, conforme as regiões exigirem (muitos dos quais podem ser alimentados por processos de energias renováveis, que estão avançando rapidamente ​​também), nós temos a capacidade técnica para criar disponibilidade de água potável para a absoluta abundância global.


O texto acima foi extraído do seguinte capítulo, em revisão para publicação no site:

Ensaio 13: Tendências Pós-Escassez , Capacidades e Eficiências 

Diagnósticos e soluções propostas no livro:

O MOVIMENTO ZEITGEIST-UMA NOVA FORMA DE PENSAR
A tradução (colaborativa) dos capítulos 1 a 11 está disponível no site (estamos trabalhando nos demais capítulos  - se desejar ajudar na tradução / revisão, veja como no link):



Ver também:

Demonstração de como a EFICIÊNCIA DE MERCADO inibe e, muitas vezes, impede a EFICIÊNCIA TÉCNICA (respeito às Leis Naturais para atender as Necessidades Humanas)



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